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Bortoleto relembra recusa a plano B antes de chegar à F1

Gabriel Bortoleto voltou a falar sobre a trajetória que o levou até a Fórmula 1 e revelou que, mesmo sem qualquer garantia de uma vaga na categoria máxima do automobilismo, nunca cogitou um plano alternativo de carreira. O piloto brasileiro, hoje na Audi (ex-Sauber), relembrou a temporada de 2024 na Fórmula 2, quando precisou provar ao paddock que merecia a chance de disputar a F1.

A obsessão por um sonho sem plano B

Campeão da Fórmula 3 em 2023 pela Trident logo em seu ano de estreia, Bortoleto seguiu para a Fórmula 2 em 2024 com a Invicta. Ainda que liderasse a categoria e já tivesse um título no currículo, não havia nenhuma certeza de que isso se traduziria em um assento na F1. Questionado pela versão italiana do Motorsport sobre a possibilidade de ter considerado outro caminho no automobilismo caso a oportunidade não surgisse, o brasileiro foi direto: “Nunca.”

Bortoleto reconheceu que a postura foi vista por muitos como arriscada. “Muitas pessoas me disseram que era errado pensar assim, e talvez fosse mesmo, porque existem tantas categorias excelentes no automobilismo que oferecem a oportunidade de se profissionalizar e competir nos mais altos níveis. Mas eu queria chegar à Fórmula 1 porque era a categoria com a qual sonhava desde criança”, afirmou. O piloto também relembrou o desconforto causado pela pergunta recorrente sobre um eventual plano B: “Isso nem passa pela minha cabeça. Nem me digam isso. Fiquei irritado e fui embora.”

Monza: a corrida que mudou a trajetória

Entre os episódios decisivos da campanha que terminou com o título da F2 em 2024, a etapa de Monza ocupa lugar especial. Um erro na classificação jogou Bortoleto para a última posição no grid, enquanto Isack Hadjar, seu principal rival na disputa pelo campeonato, largaria entre os primeiros. Por um instante, o brasileiro admitiu ter pensado que a corrida - e talvez a temporada - estivesse comprometida.

“Pensei: vou largar em último, ele em terceiro - mesmo que eu faça a corrida da minha vida, em que posição vou conseguir terminar? Temos carros iguais, não é como se um fosse muito mais forte que o outro. Até os engenheiros diziam que não seria fácil ultrapassar”, contou. Apesar do cenário desfavorável, Bortoleto mostrou ritmo forte desde a largada e passou a subir posições de forma consistente ao longo da prova.

Uma decisão estratégica acabou sendo decisiva: o brasileiro postergou o pit-stop e aproveitou a entrada do safety car para se colocar na briga pela liderança. Na relargada, superou os adversários à frente e cruzou a linha de chegada em primeiro - um resultado histórico, já que nunca antes um piloto havia vencido uma corrida da F2 largando da última posição. “Com tudo o que aconteceu na corrida, vencer foi para mim uma emoção incrível. Algo realmente especial. Precisava mostrar que merecia uma chance”, resumiu.

Da confirmação na Sauber à consolidação na Audi

A vitória em Monza reforçou a candidatura de Bortoleto no mercado de pilotos, e pouco depois o acordo com a Sauber foi confirmado para a disputa da F1 em 2025. O brasileiro permaneceu na equipe mesmo com a transição para a identidade Audi nesta temporada, consolidando-se como uma das apostas do grid para os próximos anos.

Atualmente na 15ª posição do Mundial de Pilotos, com 10 pontos somados, Bortoleto segue vinculado à equipe também na temporada que vem. A trajetória até aqui - marcada pela recusa em enxergar alternativas fora da F1 - ajuda a explicar a determinação de um piloto que fez da falta de garantias um combustível a mais na briga por um lugar entre os 20 melhores do automobilismo mundial.