Novak Djokovic vive um dilema que mistura ambição e pragmatismo nas semanas finais da temporada. Após uma campanha irregular, o sérvio aparece na nona posição da Race to Turim, a classificação que define os oito nomes que disputarão o Nitto ATP Finals, e precisa de resultados consistentes para evitar ficar de fora pela terceira vez seguida.
Uma frase que resume o momento
Foi depois da vitória sobre Jannik Sinner, em cinco sets, na semifinal do Australian Open deste ano, que Djokovic definiu sua temporada com uma frase que voltou a fazer sentido: disse que a missão seria "muito difícil, mas não impossível". A mesma lógica se aplica agora à briga por uma vaga em Turim, torneio que o sérvio não disputa desde 2023, tendo ficado de fora em 2024 por opção própria e em 2025 por conta de problemas físicos, mesmo estando classificado nas duas ocasiões.
Título invicto em Pequim, tropeço em Xangai
O cenário para 2026 havia melhorado consideravelmente depois da passagem de Djokovic por Pequim, onde ele conquistou o título sem perder um único set, chegando a uma marca invicta de 34 vitórias e nenhuma derrota na temporada. A sequência positiva, no entanto, cobrou seu preço no Masters 1000 de Xangai. Na estreia, diante de Hubert Hurkacz, o sérvio pareceu esgotado física e mentalmente, e o tenista polonês soube aproveitar a oportunidade. Jogando em alto nível, Hurkacz conquistou a primeira vitória de sua carreira sobre Djokovic, encerrando um retrospecto de oito confrontos diretos sempre favoráveis ao sérvio.
Calendário em aberto e a matemática da Race
Na zona mista do Rolex Shanghai Masters, Djokovic foi direto ao tratar dos próximos compromissos. Por ora, está inscrito apenas no Masters 1000 de Paris. "Pretendo jogar só em Paris, mas vamos ver. Espero conseguir um bom resultado lá", afirmou. Essa postura de observar o andamento da temporada antes de decidir sobre reforços no calendário está diretamente ligada à necessidade de pontuar para não perder terreno na disputa por Turim.
A situação de Djokovic na Race ganhou um contorno particular com a confirmação do desfalque de Jannik Sinner, que precisou encerrar a temporada antecipadamente devido a uma lesão no joelho direito, abrindo uma vaga a mais na briga pelas oito posições finais. Ainda assim, a concorrência logo atrás do sérvio é apertada: Alex de Minaur, Rafael Jodar, Taylor Fritz, Jakub Mensik e Felix Auger-Aliassime estão próximos o suficiente para ultrapassá-lo já em Xangai. De Minaur, décimo colocado, está 110 pontos atrás, enquanto Jodar, em décimo primeiro, acumula uma diferença de 281 pontos em relação ao tenista de 39 anos.
O que está em jogo
Para um atleta que construiu a carreira coletando recordes, a ausência consecutiva do Masters de fim de ano seria mais um capítulo incomum em uma trajetória marcada pela presença constante no topo do circuito. A decisão sobre acrescentar ou não torneios à agenda deve depender diretamente do desempenho em Paris e da evolução dos rivais diretos na classificação, em um desfecho de temporada que promete tensão até as últimas rodadas.