A seleção portuguesa de ciclismo de pista voltou do Mundial de Xangai com quatro medalhas no bagageiro, incluindo um título mundial, um resultado classificado como "excelente" por Pedro Dias, diretor da vertente de pista da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC). Iúri Leitão, Ivo Oliveira, Maria Martins e Miguel Salgueiro foram os nomes que subiram ao pódio na China, numa prova que também marcou o arranque do processo de qualificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
Uma "geração de ouro" em evidência
Para Pedro Dias, o desempenho da equipa em Xangai confirma um momento especial para o ciclismo de pista português. "Temos uma geração de ouro, por isso podemos permitir-nos sonhar com estes resultados. Quem trabalha com esta equipa sabe que o valor está lá e que o trabalho sério que têm feito é tão bom que podemos esperar estes resultados", afirmou o dirigente. Apesar do balanço positivo, o diretor da FPC não escondeu que o potencial do grupo vai além do que foi conquistado na China, lembrando que "todos os atletas da seleção têm valor para conseguir medalhas".
Regresso a Portugal e expectativa de receção calorosa
A comitiva nacional estava prevista para chegar a Lisboa e ao Porto ao longo da noite desta segunda-feira, fechando a participação no Mundial. Pedro Dias manifestou o desejo de uma receção à altura da campanha. "Espero que estejam muitos portugueses, não só aqueles que acompanham a pista, mas aqueles que acompanham ciclismo e desporto em geral, que estejam lá para felicitar os nossos campeões", disse.
O caminho para Los Angeles 2028
Mais do que uma conquista pontual, os resultados em Xangai representam o primeiro passo de um processo longo rumo à qualificação olímpica. Na vertente masculina, o cenário parece favorável. "Na parte masculina, com estes resultados excelentes, está muito bem encaminhado nessa situação", disse Pedro Dias, ponderando, no entanto, que ainda há um longo caminho pela frente. "Ainda temos quase dois anos, muita coisa pode acontecer até lá. Mas a verdade é que com estes resultados, não vou dizer que estamos com os dois pés lá, mas pelo menos um pé já está quase lá", assumiu.
No setor feminino, o panorama é mais complexo. Segundo o dirigente, o processo de qualificação envolve três modalidades, e Portugal está presente apenas numa delas. "Com isso em conta, o processo feminino é ligeiramente mais difícil, então as provas de ómnium são muito, muito importantes", explicou. Ainda assim, destacou o desempenho de Maria Martins como motivo de otimismo: "Tivemos uma boa classificação por parte da Maria, apesar de todas as adversidades. Ainda é muito cedo para dizer alguma coisa, mas se nós conseguirmos manter este ritmo nas femininas, a probabilidade existe e é alta de nós conseguirmos classificar para os Olímpicos na vertente de ómnium."
Próximos passos da equipa
Depois do esforço em Xangai, os atletas portugueses entram agora num período de descanso antes de retomarem a preparação para a temporada seguinte. Pedro Dias traçou o calendário que se avizinha:
- Período de férias para recuperação física e mental dos atletas;
- Campeonato da Europa de Elites, em fevereiro, como primeiro grande objetivo da nova fase de preparação;
- Taça do Mundo, em abril e maio, etapa já diretamente ligada ao processo de qualificação olímpica.
"A seguir, e já a contar para a qualificação para os Olímpicos, vem a Taça do Mundo em abril e maio, que já será muito importante", concluiu o diretor da FPC, reforçando que o verdadeiro teste rumo a Los Angeles 2028 ainda está por vir.