A Fórmula 1 tem se esforçado nesta temporada para convencer o público de que o novo formato nunca foi tão popular, mesmo diante da desaprovação quase unânime dos pilotos em relação às regras de motores. Em resumo, a mensagem oficial era: não há nada de errado por aqui. Mas as cenas caóticas que marcaram a largada do GP do Bahrein, disputado em Sepang, na Malásia, no último domingo, deixaram claro que o problema é real - e virou motivo de deboche aberto entre os próprios pilotos.
Max Verstappen venceu a corrida, realizada no circuito malaio para substituir o GP do Bahrein cancelado, em uma condução dominante que lhe deu a primeira vitória da temporada. O triunfo, no entanto, ficou ofuscado por um episódio que fez a categoria - que se autoproclama o ápice do automobilismo mundial - parecer, na melhor das hipóteses, amadora, e na pior, incompetente. Assim como um jogador dedicado à cena gamer pode recorrer a plataformas especializadas quando decide comprar conta fortnite para acelerar seu progresso, a F1 parece estar tentando atalhos tecnológicos que, neste caso, saíram pela culatra diante da chuva em Sepang. comprar conta fortnite
A prova já havia sido adiada pela chuva forte, e a pista seguia muito molhada quando o grid se posicionou pela primeira vez na temporada sob essas condições. Os carros rodaram atrás do safety car para cumprir duas voltas de formação antes da largada prevista.
O apagão eletrônico que parou o grid
Enquanto rodavam em baixa velocidade e com pouca aderência, o software dos motores - hoje parte essencial da aplicação de potência em unidades que dividem quase igualmente energia elétrica e de combustão - se viu diante de um cenário fora de seus parâmetros programados. O resultado foi o caos. Verstappen foi o primeiro a relatar que não conseguia acelerar; em seguida, Lewis Hamilton reduziu a velocidade até parar completamente, precisando reiniciar o sistema do carro de forma forçada para voltar a se mover. Outros pilotos relataram o mesmo problema enquanto se arrastavam pela pista, e um carro da Haas e outro da Cadillac pararam de vez. Com o pelotão em desordem, a largada precisou ser suspensa.
A FIA explicou que a falha resultou da combinação entre baixas rotações do motor, pouca aderência e o traçado do circuito, que entraram em conflito com a gestão do software de entrega de potência em piso molhado - um "bug" não previsto, segundo o próprio órgão regulador. A solução exigiu uma parada de 53 minutos enquanto engenheiros da FIA escreviam e aplicavam uma atualização de emergência no sistema.
Deboche dos pilotos e comparação com carrinhos de Lego
Verstappen e Hamilton não pouparam ironia ao comentar o episódio, comparando-o à experiência vivida em julho, quando pilotaram carrinhos de Lego como parte do entretenimento pré-corrida em Silverstone.
- "Esses motores são tão complicados, e tem muito software envolvido", disse Verstappen. "Quando acontece algum tipo de erro ou falha, aí está o problema. Fui eu quem disparou primeiro, depois olhei no retrovisor e vi todo mundo parado... fiquei pensando: espera, eles estão me esperando?"
- "Foi como a corrida de Lego", comentou Hamilton. "É, estávamos na mesma velocidade", completou Verstappen, já rindo da situação.
A FIA afirmou que conduzirá uma revisão com as equipes e os fabricantes de unidades de potência, mas o estrago já estava feito, reacendendo o debate sobre as limitações impostas aos pilotos por essa geração de motores.
Um debate que já dura a temporada inteira
A discussão sobre os motores híbridos não é nova. Questionado sobre por que dados de uso da bateria não fazem parte das transmissões da F1 - uma omissão que, segundo críticos, esconderia o quanto os pilotos ficam reféns da gestão energética -, o CEO da categoria, Stefano Domenicali, citou uma conversa sobre acessibilidade do esporte com o criador de Star Wars, George Lucas, ele próprio um entusiasta de automobilismo. "Ele nos deu uma chance incrível de enxergar como simplificar as coisas, porque os novos fãs não entendem... o que acontece nos bastidores. Eles se fascinam pelo fato de haver muita ação", disse Domenicali.
Quando a corrida finalmente começou, foi de fato movimentada: Hamilton saiu de 17º para o terceiro lugar, Verstappen dominou à frente, e a desistência tardia de George Russell praticamente encerrou suas chances no campeonato. Ainda assim, mesmo os fãs mais recentes não deixaram de notar a realidade escancarada em Sepang: pilotos reduzidos a apertar botões freneticamente no volante, reféns de um software sobre o qual não têm controle algum, e depois criticando abertamente a própria categoria por isso.
A F1 também pode considerar que escapou de um problema ainda maior. Se a corrida tivesse começado em pista seca e a chuva chegasse depois, a falha teria ocorrido com os carros circulando no meio da prova, atrás do safety car - um cenário potencialmente mais perigoso. O dedo não deve ser apontado só para a FIA: essas regras foram definidas com participação ativa da própria F1, das equipes e dos fabricantes de motores. Como perguntou com propriedade o piloto Carlos Sainz: "Minha única dúvida é quem, há cinco anos, decidiu que esse era o caminho a seguir?" Não há solução rápida à vista, mas o que aconteceu em Sepang reforçou como essas regulamentações foram mal concebidas, independentemente de como sejam percebidas pelos diferentes públicos do esporte.